
Diário de bordo de um vestibulando.
- 3 canetas BIC de cor preta.
- Uma borracha que realmente apague.
- Um lápis verde. (De preferência daqueles que entortam).
- Tempo livre.
- Saúde estável.
- Um bom material de estudo.
- Professores bons o suficiente que o façam rir.
- Cabeça livre de preocupação.
(obs: os termos riscados condizem com tópicos já cumpridos.)
Segunda-feira, 5:30 da manhã.
Aparentemente só eu estou acordada em todo o meu bairro. Eu e os cachorros da vizinhança. Os seus uivados ao invés de me deixarem assustada, fazem apenas com que eu me sinta ainda mais cansada. O ano nem começou e o meu corpo já protesta. Eu preciso descansar. Banho, cabelo, dentes, desodorante. Café da manhã. A alegria matinal é aquele pão com mortadela e o leite com toddy. Tão simples, mas que me incentiva em larga escala a acordar essa hora do dia.
A rua erma, com seus buracos melhor definidos como crateras é o palco de minha espera. A espera pelo ônibus. O tempo é lento e a cada som de carro que ouço cria-se em mim a esperança de que já é o ônibus que chega. Mas nada… O ônibus demora e quando vem, chega adoidado, com as quatros rodas bambas e um motorista mal humorado. Eu estou cansada. Os pés se fincam no metal já desgastado que é o chão do ônibus, cada curva uma aventura, cada parada um convite para a inércia me jogar longe. Mas o tempo passa rápido.
A escola feita de um prédio feio, antigo, mas cheio de lembranças. Um bom dia para o porteiro, um sorriso para os novos colegas. A preguiça de mais um ano, um ano que só acabará no meio de janeiro de 2013. Um ano de cansaço e que talvez nem acabe bem. Aulas, risadas, mas aulas já inteiras, cheias de conteúdo. Conteúdo já conhecido, mas que sempre me escapa a mente. E já não estou mais em uma escola, estou em um curso. Um curso de pré-vestibular.
O almoço corrido. Tenho cinco minutos, apenas cinco minutos para me alimentar no muquifo da cidade. Que apesar de feio é barato e tem seu certo charme. Seu certo gosto. O pagamento rápido. A corrida até o outro ponto de ônibus, mais uma espera interminável de cinco minutos. Um novo ônibus, igualmente acelerado, igualmente com um motorista mal humorado. Agora minutos longos se passam até chegar ao trabalho. Sim, ao trabalho. Sete horas longas, cheias de sorrisos falsos e pernas cansadas. Por mais que o ambiente seja agradável, eu me canso.
O dia acaba. 10:30 da noite. Estou exausta. Um banho rápido. Qualquer coisa de comer, qualquer coisa de assistir. E durmo, pois o dia seguinte será igual e nenhum tópico da lista foi cumprido. Eu não passarei no vestibular, eu só permanecerei cansada. Estou com medo. Ultimamente, a pior hora do dia é a hora de dormir.